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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Exterogestação


A teoria da exterogestação diz que os bebês humanos nascem ainda muito prematuros e por isso, seus 3 primeiros meses depois de nascidos, seriam o quarto trimestre da gestação.
Nesse período o bebê precisa de condições especiais para adaptar-se suavemente ao "mundo aqui fora".

Se você entender essa idéia, com certeza seu bebê terá um começo mais feliz e tranquilo, sua adaptação será mais fácil e ele crescerá mais seguro.

Teoria da Exterogestação
Os bebês humanos estão entre os mais indefesos de todos os mamíferos. Por causa do maior tamanho do cérebro e do fato de que o tecido nervoso necessita de mais calorias para se manter que qualquer outro, grande parte do alimento ingerido é gasto em prover nutrição e calor para as células nervosas. Mais significante é o fato de que nossos bebês necessitam nascer mais cedo do que deveriam, com seus cérebros ainda não totalmente desenvolvidos. Se o bebê humano nascesse já com o sistema nervoso central amadurecido, sua cabeça não passaria pela pelve estreita da mãe no momento do parto. Ao contrário de outros mamíferos, como girafas e cavalos, o recém-nascido humano é incapaz de andar por um longo período após o nascimento, porque lhe falta o aparato neurológico maduro para tanto. O custo primal de ter um cérebro grande é que nossos filhotes nascem extremamente dependentes e em necessidade constante de cuidado.

O crescimento do nosso cérebro após o nascimento é mais rápido do que o de qualquer outro mamífero e segue neste ritmo por 12 meses.

A seleção natural demanda que pais humanos cuidem de seus filhos por um longo período e que os filhos dependam dos pais. Esta necessidade mútua traduz-se em um estado emocional chamado “apego”.

Em algumas culturas, como na tribo !Kung, bebês raramente choram por longos períodos e não há sequer uma palavra que signifique “cólica”. As mães carregam os bebês junto ao corpo, com um aparato semelhante a um “sling”, mesmo quando saem para a colheita. A relação mãe-bebê é considerada sacrossanta, eles permanecem juntos o tempo todo. O bebê tem livre acesso ao seio materno e vê o mundo do mesmo ponto de observação que sua mãe.

Nossa cultura ocidental não permite um estilo de vida idêntico ao de tribos primitivas, mas podemos tirar lições valiosas sobre como ajudar nossos bebês na adaptação à vida extra-uterina.

Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê humano é tão imaturo que seria benéfico a ele voltar ao útero sempre que a vida aqui fora estivesse difícil.

É preciso compreender o que o bebê tinha à sua disposição antes do nascimento, para saber como reproduzir as condições intrauterinas. O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal, envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também estava ouvindo constantemente um barulho "shhhh shhhh", mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos da mãe).

A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda "o reflexo calmante". Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro.

Os 5 métodos para acalmar um bebê até 3 meses de idade são extremamente eficazes SOMENTE quando executados corretamente. Sem a técnica correta e o vigor necessário, não adiantam em nada.

1. Pacotinho ou casulo (embrulhar o bebê apertadinho)

A pele é o maior órgão do corpo humano e o toque é o mais calmante dos cinco sentidos. Embrulhadinho, o bebê recebe um carinho suave. Bebês alimentados, mas nunca tocados, freqüentemente adoecem e morrem. Estar embrulhadinho não é tão bom quanto estar no colo da mãe, mas é um ótimo substituto para quando a mãe não está por perto.

Bebês podem ser embrulhados assim que nascem. Apertadinhos, de forma que não mexam os braços. Eles se sentem confortáveis, "de volta ao útero". Bebês mais agitados precisam mais de ser embrulhados, outros são tão calmos que não precisam.

Se o bebê tem dificuldade para pegar no sono, pode ser embrulhado apertadinho, não é seguro colocar um bebê para dormir com um cueiro solto. Não permita que o cueiro encoste no rosto do bebê. Se estiver encostando, o bebê vai virar o rosto procurando o peito, ao invés de relaxar.

Todos os bebês precisam de tempo para espreguiçar, tomar banho, ganhar uma massagem. 12-20 horas por dia embrulhadinho não é muito para um bebê que passava 24 horas por dia apertadinho no útero. Depois de 1 ou 2 meses, você pode reduzir o tempo, principalmente com bebês tranqüilos e calmos.

2. Posição de Lado

Quanto mais nervoso seu bebê estiver, pior ele fica quando colocado sobre as costas. Antes de nascer, seu bebê nunca ficou deitado de costas. Ele passava a maior parte do tempo na posição fetal: cabeça para baixo, coluna encolhida, joelhos contra a barriga. Até adultos, quando em perigo, inconscientemente escolhem esta posição.

Segurar o bebê de lado ou com a barriga tocando os braços do adulto ajuda a acalmá-lo (a cabeça fica na mão do adulto, o bumbum encostado na dobra do cotovelo do adulto, com braços e pernas livres, pendurados). Carregar o bebê num sling, com a coluna curvada, encolhidinho e virado de lado, tem o mesmo efeito. Atualmente especialistas são unânimes em dizer que bebês NÃO DEVEM SER POSTOS PARA DORMIR DE BRUÇOS, pelo risco de morte súbita.

O bebê não sente falta de ficar de cabeça para baixo, como no útero, porque na verdade o útero é cheio de fluido e o bebê flutua, como se não tivesse peso algum. Do lado de fora, sem poder flutuar, virado de cabeça para baixo, a pressão do sangue na cabeça é desconfortável.


3. Shhhh Shhhh - O som favorito do bebê

O som "shhh shhh" é parte de quem somos, tanto que até adultos acham o som das ondas do mar relaxante. Para bebês novinhos, "shhh" é o som do silêncio. Ele estava acostumado a ouvir tal som 24 horas por dia, tão alto quanto um aspirador de pó. Imagine o choque de um bebê acostumado a tal som o tempo todo chegando a um mundo onde as pessoas cochicham e caminham na ponta dos pés, tentando fazer silêncio!

Coloque sua boca 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê e faça "shhh", "shhh". Aumente o volume do "shh" até ficar tão alto quanto o choro do bebê. Pode parecer rude tentar "calar" um bebê choroso fazendo "shh", mas para o bebê, é o som do que lhe é familiar.

Na primeira vez fazendo "shhh", seu bebê deve calar após uns 2 minutos. Com a prática, você será capaz de acalmar o bebê em poucos segundos. É ótimo ensinar isso aos irmãos mais velhos, que adorarão poder ajudar e acalmar o bebê.

Para substituir o "shhh", pode-se ligar:

- secador de cabelos ou aspirador de pó

- som de ventilador ou exaustor

- som de água corrente

- um CD com som de ondas do mar

- um brinquedo que tenha sons de batimentos cardíacos

- rádio fora de estação ou babá eletrônica fora de sintonia

- secadora de roupas ligada com uma bola de tênis dentro

- máquina de lavar louças

O barulho do carro ligado também acalma a criança.


4. Balanço

"A vida era tão rica no útero. Rica em sons e barulhos. Mas a maior parte era movimento. Movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo - movimento, movimento, movimento." (Frederick Leboyer, Loving Hands)

Quando pensamos nos 5 sentidos - visão, audição, tato, paladar e olfato - geralmente esquecemos o sexto sentido. Não é intuição, mas a sensação de movimento no espaço.

Movimento rítmico ou balanço é uma forma poderosa de acalmar bebês (e adultos). Isso porque o balanço imita o movimento que o bebê sentia no útero materno e ativa as sensações de "movimento" dentro dos ouvidos, que por sua vez ativam o reflexo de acalmar.


Como balançar ?

1. Carregando o bebê num "sling" ou canguru;

2. Dançando (movimentos de cima para baixo);

3. Colocando o bebê num balanço;

4. Dando tapinhas rítmicos no bumbum ou nas costas;

5. Colocando o bebê na rede;

6. Balançando numa cadeira de balanço;

7. Passeando de carro;

8. Colocando o bebê em cadeirinhas vibratórias (próprias para isso);

9. Sentando com o bebê numa bola inflável de ginástica e balançando de cima para baixo com ele no colo;

10. Caminhando bem rapidamente com o bebê no colo.

Quando balançar o bebê, seus movimentos devem rápidos mas curtos. A cabeça do bebê não fica sacudindo freneticamente. A cabeça move no máximo 2-5 cm de um lado para o outro. A cabeça está sempre alinhada com o corpo e não há perigo de o corpo mover-se numa direção e cabeça abruptamente ir na direção oposta.


5. Sucção

No útero, o bebê está apertadinho, com as mãos sempre próximas ao rosto, sugando os dedos com freqüência. Quando nasce, não mais consegue levar as mãos à boca. A sucção não-nutritiva é outra forma de acalmar o bebê. A amamentação em livre demanda não é recomendada somente para garantir a nutrição do bebê e a produção de leite da mãe, mas também para suprir a necessidade de sucção não-nutritiva. Alguns especialistas orientam às mães a darem chupetas para isso, mas ainda que a chupeta seja oferecida ao bebê, não deve ser introduzida nas 6 primeiras semanas de vida, quando a amamentação ainda está sendo estabelecida. Há sempre o risco de haver confusão de bicos e o bebê sugar o seio incorretamente.

É importante lembrar que o bebê nunca chora à toa. O choro nos primeiros meses de vida é a única forma de comunicar que algo está errado. Ainda que ele esteja limpo e bem alimentado, muitas vezes chora por necessidade de aconchego e calor humano. Por isso, falar que bebê novinho (recém nascido até 3 meses ou mais) faz manha (no sentido de chorar para manipular "negativamente" os pais) não tem sentido, bebês novinhos simplesmente não tem maturidade neurológica para tanto.


Bibliografia:

The Happiest Baby on the Block, Dr. Harvey Karp, Bantam Dell, 2002. New York.

Our Babies, Ourselves: How Biology and Culture Shape the Way We Parent, Meredith F. Small, Anchor Books, 1998. New York.


Texto organizado por Flavia O. Mandic

fonte: http://solucoes.multiply.com

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Sling e torcicolo congenita

Em uma das listas de mães de que participo, uma das mães mandou uma mensagem dizendo que o bb dela tem torcicolo congenita e perguntando se teria problemas usar o sling, porque havia sido recomendado que ela não usasse.

Outra mãe, que é fisioterapeuta, usuária e adepta do sling mandou a seguinte resposta:

Sou fisioterapeuta, e ADORO o sling!!

A sua fisioterapeuta talvez tenha associado com algum outro carregador de bebê e fez o comentário sem nem saber do que se trata...

Imagino que ela deva ter citado o problema de postura imaginando que o bebê fique "amarrado" com o sling, sem poder se mexer. Essa seria a única explicação para causar uma alteração postural... Mas, na minha opinião, isso só aconteceria se o bebê ficasse TODOS OS DIAS na mesma posição, por HORAS no sling, SEM SE MEXER!! Ou seja, como se estivesse engessado!

E, na prática, isso realmente não acontece. O sling permite que o bebê se mova... aliás, eu considero essa liberdade de movimento um estímulo para o desenvolvimento. Quando minha filha era recém-nascida, eu colocava ela de "barriga-com- barriga" no sling, e assim ela foi aprendendo a ter controle cervical! Sozinha ela foi descobrindo como virar a cabeça de um lado para o outro quando estava cansada, e nunca reclamou da posição. Se não estivesse bom, tenho certeza que ela iria se manifestar.. . rs!

Vc disse que sua filha teve torcicolo congênito, né? Aqui vai a minha opinião (nunca li artigos científicos sobre o assunto, mas pela experiência considero assim): se vc souber estimular o movimento da coluna cervical dela enquanto está no sling, ele pode ser um aliado no tratamento! Por exemplo: colocar ela de frente para você e chamar a atenção dela para que movimente o pescoço para os lados. Para OS DOIS lados... (já foi o tempo que se tratava torcicolo congênito "forçando" o pescoço do bebê para o lado que ele não ia...)

Se vc quiser, pode sim usar o sling, desde que vc e sua filhota estejam à vontade com ele!!

Marieli Rossoni Marcioli
Fisioterapeuta
Mãe da Fernanda (5 meses)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Sim, a Carinho de Pano faz pouch!


Já faz um tempo estamos produzindo, além dos slings de argola, o pouch sling.

O pouch é um sling costurado, sem argolas, super compacto, super prático e com visual super urbano.
Temos recebido muitas dúvidas e perguntas, então fizemos este post para esclarecê-las.
O pouch sling é um sling tão seguro quanto o sling de argolas. Possui costuras internas de segurança e costuras externas de acabamento.
Tem suas particularidades no uso e sua escolha depende somente da preferência pessoal de cada um com relação ao uso e ao visual.
Ele não possui argolas, portanto não tem ajustes e depende do tamanho do adulto que irá usá-lo.
Você já deverá ter informado suas medidas no momento do pedido.
Apesar de não ter ajustes, o pouch é bem fácil de usar e bem prático, mas no começo é normal parecer que está apertado.
Durante o uso, o “fundo” do pouch deve estar, assim como no sling de argolas, entre o quadril e a cintura. Assim, ele não aperta o bebê e também não sobrecarrega sua coluna.
Todos os pouch da carinho de pano são dupla face.
Estamos ainda produzindo o as instruções de uso de nossos pouch slings, mas estamos sempre aqui para auxiliar nossos clientes no uso correto e bem sucedido, por e-mail ou telefone.
É isso! Se você ainda tem dúvidas, escreva pra gente!
Veja nossas estampas, escolha a sua!

sábado, 24 de janeiro de 2009

Pegue seu bebê no colo!!

Quem já leu meu depoimento sobre a descoberta do sling já ouviu falar do livro "101 maneiras de criar um bebê feliz" de Lisa McCourt.
Semanalmente vou compartilhar com vocês um pedacinho do livro que me despertou para uma forma mais consciente de maternidade.
Antes de a Luisa nascer eu dizia aos quatro ventos que ela iria dormir no quarto dela, pois ela tinha que saber qual é o espaço dela e respeitar o nosso. Aí, ganhei do meu marido esse livro.
Ele fala sobre atachment parenting - forma sensitiva de criar os filhos, de se conectar com eles e reconhecer sua necessidades para um crescimento emocionalmente seguro e saudável - embora não tenha nada entitulado assim.
Quando li, fiz até algumas anotações ranhetas dizendo que o livro ensinava a criar um bebê mimado, mas no fim das contas, a coisa foi tomando conta de mim de uma forma TÃO natural que não tinha mais o que questionar.
E acabei tendo um parto normal (dois naturais depois que mais algumas fichas cairam) amamentando em livre demanda e exclusivamente por 6 meses. Pratiquei amamentação prolongada, amamentei grávida, amamentei duas ao mesmo tempo, pratique cama compartilhada e... tcharam!!! BABYWEARING intensivo!
E tudo isso foi acontecendo de uma forma tão obviamente natural, que até estranho que alguém ache que pode ser diferente disso. Enfim... vou transcrever aqui, uma vez por semana, um tópico interessante do livro.


Pegue-o no colo!
Pegue-o no colo!Algumas décadas atrás, a cultura ocidental aceitou a bizarra idéia de que é bom para o bebê chorar sozinho. Nenhuma sociedade primitiva compartilhou essa opinião anormal, assim como não o faz a maioria das culturas contemporâneas. Na verdade, muitas sociedades reconhecem uma fase de transição durante a qual o contato entre mãe e filho é essencial. Acredita-se que são necessários nove meses dentro do útero e nove meses de intensivo cuidado materno fora do útero para preparar de forma adequada um pequeno ser humano para passar qualquer tempo sozinho. Os componentes necessários da segunda fase de nove meses, a de transição, são o contato próximo entre a mãe e o bebê, a resposta imediata ao choro e a amamentação até pelo menos os dois anos de idade. Por mais radical que isso possa parecer, é algo comum fora da cultura ocidental. Os antropólogos declaram repetidamente que uma das diferenças mais notáveis entre os bebês do mundo ocidental e os de sociedades primitivas é o fato de que nestas eles raramente choram e, se o fazem, geralmente são pegos no colo de imediato e amamentados ou acalmados de alguma outra forma. Muitos especialistas agora no s dizem o que nós, mães, instintivamente sempre soubemos: não se deve deixar um bebê chorando sozinho. De acordo com o renomado especialista Lee Salk, pegar um bebê no colo quando ele está chorando ensina-lhe que alguém atende às suas necessidades, sejam elas de comida ou apenas da sensação física de ser segurado. Ele diz aos pais: "Não há problema algum no fato de uma criança chorar, o problema é ela chorar e não receber atenção."A maioria dos pais tentará determinar o motivo do choro do bebê para conseguir fazê-lo parar. Mas, com muita frequência, não há motivo aparente, e isso é perfeitamente normal e pertinente.

O bebê às vezes se sentem mal e anseiam por contato humano e amor. Se os pais o confortam quando acreditam que ele tem um motivo verdadeiro para chorar, mas o ignoram quando acreditam que ele não tem, estão ensinando-lhe que não se deve confiar nas pessoas. Ele sente-se confuso, impotente e indigno da atenção deles.O choro é o único modo de comunicação que o bebê tem! Quando o choro não obtiver resposta com suficiente frequência o bebê vai acabar achando que não se comunica com eficácia. Se essa opinião se formar quando ele ainda for bebê, permanecerá quando for uma criança maior.Na natureza, quase todas as mamíferas reagem imediatamente ao choro de seus filhotes. Elas o amamentam, lambem ou tocam, numa resposta automática a qualquer desconforto que percebam neles.Até mesmo as crianças, guiadas pelos próprios instintos, se apressam em ajudar um bebê que está chorando. Não deixe que conselhos ridículos de algum novo 'especialista' anule seu imperativo biológico para pegar seu filho no colo e acalentá-lo.